

uma simples mensagem a dizer 'assim que souber digo' ou 'sim, amanha vou ai' custa-me muito a escrever. entre uma letra e a outra as minhas pálpebras cedem. as minhas mãos tremem de cansaço e de falta de uma boa noite de sono (ou de amor, não sei). doi-me a garganta, e não suporto cigarros. estou a uma semana para a entrega final. quando tento adormecer sinto o meu coração bater muito. sonho acordada com o dia ainda longinquo em que estarei deitada sobre a areia branca da tua praia.
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work it out

As casas com que alguns de nós sonhamos e que queremos tornar realidade, serão espaços livres, amplos, cheios de luz. Serão construídas pelos melhores arquitectos os quais, farão da lógica magnífica o seu melhor instrumento. Serão casas perfeitas. Pensadas para pensar, conversar, amar, habitar, viver. Como o céu na terra.
in a ideia construída de A. C. Baeza.

ruas inclinadas, cheias de silêncio apenas interrompido pelo barulho frenético das televisões que transmitem incansavelmente os jogos de futebol. são portas muito velhas, sem campainhas. tocamos e ficamos mais ou menos sete segundos à espera que surja alguém do outro lado para dizer sim, não, sim, sim, não. Numa das casas, mesmo a meio da rua do Rui aparece uma senhora de 82 anos quase feitos, se chegar lá, como fez questão de dizer. há-de chegar com certeza, dissemos nós quase em uníssono. tinha uns olhos cansados mas vivos, e o cabelo gasto pelo tempo. De repente quase nos contava toda a sua vida. falou-nos dos mais ínfimos pormenores, talvez aqueles que a magoaram mais durante todo este tempo - mudei-me para aqui quando a minha filha decidiu experimentar casar, não o deveria ter feito, mas todas queremos um dia passar por isso, não é?.
se calhar queremos mesmo.



todos os dias faço coisas banais, como atravessar uma rua, fumar um cigarro ou beijar quem mais gosto. como se fossem as tarefas mais normais e fáceis. porque as faço já há muito tempo, algumas quase desde que me conheço. cada vez mais penso que as coisas mais básicas e naturais são as mais importantes. sem elas, o que seria de todas as outras? hoje continuo a pintar as unhas ou as pálpebras com a mesma paixão com que ando de avião ou comemoro o último dia de Inverno.
também nos magoam. mesmo nos piores dias.
também nos desiludem.
também fingem.
também conseguem ser más e supérfulas.
às vezes não pensam nem sonham o que nos vai dentro da alma. porque se soubessem não imaginariam o quanto doi à noite não conseguir dormir, ou o que custa dobrar cada esquina com o coração nas mãos. nem sequer sabem o que é ter um dia mau, do princípio ao fim. jamais vão sentir o travo sabor das lembranças que morrem esquecidas.
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