



acredito no amor.
e no que ele ainda encerra.
nos olhos brilhantes, no coração em sobressalto, no tremor interior e nos gatos pardos que passam na rua.
Atravessámos a marginal a cantar 'fico assim sem você' em voz alta, quase a gritar. Como umas miúdas. A noite é tão bonita em Lisboa, e parece que é hoje que as estrelas vão mudar de lugar. Olho para a praia e tenho vontade de lá estar contigo de mãos dadas, mas sem saber o que te dizer. Apesar das gargalhadas inconfundíveis, a desilusão assalta-me. Os meus olhos estão tontos à tua procura. Juro sempre que é desta. É desta que vou conseguir esperar. As esperas normalmente têm me dado coisas boas.
O H. adora café, fuma LM light e conduz rápido. Tem magia dentro da alma. Não percebo como lha encontro, mas sinto-a. Aparentemente nada indica que ele a possa ter, porque não tem os olhos azuis, nem sabe cantar. Mas tem essa magia que me faz gostar dele, pensar nele, imaginar-me com ele a atravessar a precisa rua que neste momento estou a atravessar. Confesso que até já me fartei de lhe olhar nos olhos quando estamos deitados na cama - porque ele desvia-os logo. E já não tenho paciência para suportar a forma monótona como ele me agarra a cintura, porque é daquela forma 'tem que ser'. Mas eu gosto dele, da maneira simples como me diz olá depois de um mês e do modo como trava mais um, sempre só mais um, cigarro.
este poderia ser o meu diário.
chegou a casa de olhar vazio. Já pensaram o que é ter o olhar vazio? Não é só o olhar que está vazio, sem sentido, sem qualquer tipo de intensidade. É a alma também.