nao tenho forma de caminhar em linha recta.



gostava de ser aquele tipo de pessoas que sabe fazer ligações num candeeiro, furar paredes para pendurar o que quer que seja, perceber bué de canalizações e torneiras, enfim...


hoje não me apetece chorar

o intuito de (quando éramos crianças) tocar às campainhas e fugir depois, não era o de obrigar as pessoas irem à porta, era a adrenalina de não sermos apanhados.


manda-me uma mensagem



perguntaram-me sobre o amanhecer em Tokyo e eu imaginei o momento em que rodo a chave da minha casa. a mesa de trabalho ao fundo da sala cheia de papéis, o sofá manchado de café e uma cama de lençóis brancos por fazer. perceber, enfim, que o caos nos alimenta.


em Setembro seremos sempre sarcásticos.


Interessam-me os assuntos do quotidiano: os alarmes que disparam na rua, as horas perdidas num atelier, a multidão de pessoas que atravessa uma passadeira em conjunto, como se todas elas fossem amigas de infância.

Apetecia-me fazer uma loucura: prestar uma prova de amor a alguém e não ter medo de ser, por um momento, ridícula.

Porque é que quando acabamos com o segundo namorado, terceiro namorado, quarto ou quinto namorado, nos lembramos do primeiro?

tenho vontade de subir dois lanços de escadas e contar um por um todos os degraus, saborear a brancura das paredes e desprezar o elevador. apetece-me ter um punhado de amigos à porta para um jantar indiano take away, uns incensos na sala e no quarto, e um final de noite abraçada ao meu primeiro namorado. quero uma luz muito amarela suspensa de um candeeiro metálico, e uma televisão que repete as minhas séries preferidas.

lavanda, de flores, fruta, roupa recém lavada, de chuva, de chuva na grama, de perfume barato, caro, de roupa nova, suja, de mata, de quotidiano, de rotina, de amor, de paixão, de lembrança, de vontade, de tristeza, de silêncio, de dor? porque desde o início, se busca descobrir o cheiro e o gosto de uma mulher. mesmo que ela esteja ali, sentada no sofá, de pernas cruzadas, segurando os pés protegidos pela meia de algodão e os tamancos sobre as pernas. ouvindo e cantarolando a música que os outros cantam e dançam. talvez um chico buarque, um caetano, um gil, um tom zé, um tom jobim, um vinícius de moraes... e o que ela só espera, é que alguém sente ao seu lado, lhe diga algumas palavras e a convide para dançar. ou que apenas lhe dê o encosto. no vão seguro entre o ombro e o pescoço. sem palavras. sem perguntas. ouvindo e cantarolando a música que os outros cantam...


Esta altura em que o Verão se transforma em Outono traz-me sempre lembranças melancólicas e permite que nos meus olhos o céu fique creme.

em dias maus pensa-se em demasiadas coisas. normalmente pensa-se erradamente sobre elas.

depois de um dia ingloriosamente cansado, encosto-me ao parapeito da varanda e observo a cidade. não dá para vê-la toda, mas a minha rua é um bom pedaço dela. lá em baixo passeia-se uma rapariga muito loira puxada por três cães muito bonitos mas muito grandes. a florista encerra o seu dia arrumando os vasos de narcisos. (de repente vem-me à ideia uma imagem do meu namorado quando numa tarde me pediu para lhe mexer ovos.) a minha sala permanece vazia porque a entrega dos sofás ainda não foi feita. gostava que a minha cozinha tivesse o cheiro de canellones de espinafres acabados de fazer, gostava de já ter os candeeiros pendurados dos tectos dos dois quartos, e gostava de receber uma mensagem daquelas que nos surpreendem por serem tão simples - o que eu quero dizer é que podia ser só uma frase pequena mas capaz de eu me lembrar dela o resto da noite. daqui a cinco minutos talvez o sol se esconda definitivamente por hoje e encerre mais um dia de Setembro. não tenho certeza se amanhã a rapariga loira cruzará a passadeira, ou se a senhora das flores arrumará os narcisos, por isso vou memorizar todos os segundos.

me enche de amor, de amor...
(isto era o que eu queria de ti. não quero mais.)


às vezes tenho vontade de te perguntar se aconteceu alguma coisa.


Tenho dias muito preenchidos e sou feliz assim: chegar à noite e poder pensar que todos os minutos foram consumidos na sua plenitude é uma dádiva dourada.


o tempo separa as pessoas mais ainda do que o espaço


Se alguém me dissesse 'amo-te' agora, eu ficaria tão feliz.


A nossa vida vai mudar, e para melhor.


quando tento dizer alguma coisa, a voz sai-me turva. a garganta está muito seca. no meu interior, todas as ideias permanecem claras, mas depois não consigo torná-las palavras. em dias felizes, beberíamos vodka.

'O adulto normal é aquele que vive dentro das coordenadas que lhe foram atribuídas'



good boys make bad things and bad girls make good things



sempre que conversamos, fico a pensar como seria a minha vida se te tivesse levado a sério.


sabem: ele traiu-me, ele afastou-me, ele desprezou-me. ele sente uma indiferença enorme depois de fazermos amor. ele não diz uma única palavra bonita depois disso. ele nem sequer me olha nos olhos.

coloca uma maquilhagem forte e vamos sair

html code
Daily Specials