trabalhar, trabalhar, trabalhar. foi assim o meu fim de semana.
terminar algo e perceber que é assim que faz sentido. que não podia ser de outra maneira. sabe tão bem...
'faz porque queres e sentes, não porque deves e tens'
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amanhã...


desfoque
'nunca apresentem dois projectos a um cliente, ele escolherá o pior.' ACG
acordar já tarde e pôr um som reggae. olhar pela janela e observar o tempo frio nada próprio de fim de Março.
pensar numa solução para uma suposta capela laica. um suposto espaço de meditação espectacular. silencioso, frio, compacto. intenso ou suave? fumar um cigarro com o professor de projecto e explicar-lhe as entradas de luz.
poderia ter ido ao teatro, ao cinema, beber café.
constatar que não tenho sorte nenhuma. que há sempre qualquer coisa que não faz sentido. sinto uma enorme necessidade que as estrelas mudem de lugar.
amanhã vou lomografar e sentir a cidade como nunca.
fotografar é mais que imortalizar um momento. é questioná-lo. é vivê-lo duas vezes. é prendê-lo dentro de nós.
hoje o meu dia foi assim...

hoje acordei com um friozinho na barriga, abri todas as janelas e deixei o sol entrar. hoje só cá faltavas tu, para me mandares terminar a sopa e para me perguntares se já fiz os trabalhos de casa. eu sei que já não tenho idade para trabalhos de casa mas agora não me importava com nenhuma das tuas perguntas. hoje fez o sol mais bonito de manhã e eu consegui sorrir através dele. hoje sonhei com as maquetes todas que me esperam para a semana. hoje sonhei que tudo não passa de um sonho. esta vida. e a próxima. até um dia.
Primavera. finalmente...


'o primeiro material da arquitectura é a luz' António Carrilho da Graça

é uma cidade deslumbrante. estive lá apenas algumas horas mas foram as necessárias para perceber isso. as ruas metódicas, algumas silenciosas e outras cheias de gritos, gargalhadas, conversas indecifráveis. a cada esquina uma surpresa, os olhos ficam mais brilhantes perante a alegria das pessoas que se cruzam com leveza e paixão. a mesma paixão com que Gaudi percorria os trilhos fugazes da fantasia.



hoje só apetecia
há um provérbio alemão que diz "uma vez não chega, uma vez é nada". às vezes fazemos coisas uma única vez na vida, mas não seria bom termos a oportunidade de as vivermos novamente? sentir tudo uma vez mais - imaginem... um beijo, um primeiro olhar, um apertar de mãos, um tocar de ombros na rua que quase nos deixava cair, o dia em que conseguimos finalmente permanecer dentro de água sem escorregarmos para o fundo, um abraço apertado depois de uma noite longa.
a eternidade será para sempre algo que gostaríamos de guardar no bolso de trás das calças.

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