acordei a pensar no sol baço que surgirá nas pequenas janelas do avião, na aterragem turbolenta, no abraço-de-saudade-de-quando-éramos-meninas-de-primeira-classe, na agitação propícia do aeroporto Ruzyne, na escala de duas horas em Munique, nas mil fotografias (só mil?), no frio que eu odeio mas tem de ser, nos olhos claros e límpidos das pessoas que quase se empurram, no café quente com chocolate que nos espera em casa. Vens comigo?
A C. ontem disse-me como lhe custava ser assim... Ser como a Blimunda do José Saramago. Olhar as pessoas e vê-las por dentro.
até agora tem sido apenas e só por mera necessidade. vai sempre contra os meus princípios. mas é me impossível negar. porque só tu me sabes agarrar sem me deixar cair. só gosto do teu cheiro e dos teus beijos. das tuas mãos enormes, e dos preciosos minutos que gastas comigo. hoje sinto aquele friozinho estranho na barriga. estou a 20 centímetros de te mandar uma mensagem. Vem.
hoje fiz as coisas que mais gosto. Ouvi as melhores músicas, passei plantas a vegetal durante três horas à janela, adormeci no sofá. Tenho sonhado todas as noite com ele. Fez um sol lindo e quente lá fora, embora eu não o tenha aproveitado da melhor forma... E depois estás aí, eu sei que estás aí. Apesar de tudo, sei que ainda há qualquer coisa boa e importante.
hoje queria falar sobre as improbabilidades. Que probabilidade teria eu, no dia de hoje, de te encontrar enquanto atravessava uma passadeira? Sim, penso todas as vezes nisso enquanto as atravesso. Mas nunca pensei realmente que haveria de encontrar-te. Foi igual. Um ritual básico, em que me perguntas 'porquê?'. Em que é impossível cruzar o olhar, porque incomoda. Porque te queria para sempre a olhares para mim. E é complicado, e difícil, e qualquer coisa mais. Todas as que posso imaginar.
hoje sonhei contigo..
Tive as minhas primeiras aulas de Materiais. Sim, as teóricas são a real monotonia, mas às vezes até surgem coisas interessantes como o óleo de jojoba ser um óptimo isolador. As práticas são bem mais giras e fizeram-me perceber, ainda mais, como é isto que vou gostar de fazer.
Aqui somos felizes à nossa maneira, entre mais 'uma entrega amanhã', entre 2 minutos para café ou um cigarro do outro lado dos vidros das salas enormes. Aqui o sol que passa pelas janelas é amor, é energia. Aqui há vontade de sentar no chão e respirar a arte que todas as pessoas transportam, em passos descontraídos, em sorrisos cúmplices e em formas de agir totalmente desiguais. Adoro...
hoje senti tanta falta...
um arrepio, uma desilusão, uma vontade, um vidro partido, os olhos fixos no tecto, uma divagação.
oh, está tão difícil...

um sorriso enorme, para ti. só a ti.
confesso que sinto saudades das directas, daquela hora entre as 6 e as 7 em que tenho mesmo que dormir (em que lugar for), do dia que se segue muito parado, muito sem energia. E sinto ainda mais falta da cumplicidade entre nós, os olhos cansados, a voz rouca e as mãos quase a tremer. Tenho mesmo muitas saudades das arquitectisses, dos estiradores cheios de restos de k-line. Tenho saudades daquela tarde (quase já oito horas) em que cortei mais de 30 euros de cartão numa só hora.

hoje pensei toda a tarde nisto, afinal ele é a melhor pessoa que conheço. Apesar de tudo, de todas as imbecilidades que fez, ele é a melhor pessoa que conheço. Antes de rodar a torneira de água quente, senti qualquer coisa de diferente. Se calhar, é aquilo a que todos chamam optimismo, mas foi algo que eu levei em boa consideração. Porque 'essa' coisa me fez acreditar que depois destes caminhos descruzados, ainda iremos ficar juntos. Ainda gostaremos de conversar um com o outro, da meia noite até amanhecer. Ainda vamos apanhar um avião low cost para Londres e dormiremos na rua, apenas para nos intrometermos um bocadinho no quotidiano dos ingleses. Ainda vou encontrar a melhor forma de te mostrar que nascemos para os nossos braços serem um do outro. Porque eu sei que as coisas não acontecem por acaso, e nenhuma pessoa entrou na minha vida (pelo menos da forma que tu entraste), e saiu incólume. Pelo menos na minha vida isso não acontece.

o 'meu amor' gosta muito de café. bebe muitos por dia. e andou muito tempo a utilizar os 'castanhos escuros' em vez dos 'pretos' do nespresso, porque diz que é daltónico.


Amanhã vou acordar muito cedo e vou vestir as minhas melhores calças, a minha camisola mais in e vou sair com o sorriso mais brilhante que conseguir. Afinal, a vida é um jogo e eu estou aqui para jogá-lo. E como qualquer jogo, há que jogá-lo sem nenhuma hesitação, sem fraquejar, pestanejar, questionar. Não vale a pena perder tempo com pormenores, se conseguirmos seguir apenas o que sempre nos levou até ao fim. Boa sorte.
Gosto de fazê-lo às escondidas., pelo simples prazer de o fazer. Acalma-me e faz-me pensar. Se eu lhe perguntasse agora se gostava de mim, ele responder-me-ia nada. Isto é, não me responderia.

há coisas cruéis. uma delas é perder o amor das nossas vidas. algo nos desilude, e não sabemos o quê.
hoje voltei a pensar nisso, que fraqueza... Será uma fraqueza assim tão enorme voltar a pensar no quanto eu gostei daquele final de tarde? Em que as luzes se desvaneciam tão lentamente quanto os teus beijos. Em que as tuas mãos foram o meu único vestido - como diz o poema. Em que me mostraste a tua vida inteira nuns papéis, sem murmurares uma única palavra.

poder dizer-te que és úncio tornou-se tão utópico que até pensei nisso antes de adormecer.








gostava de ter uma casa de férias assim... percorreríamo-la de mãos dadas, de olhos doces e calor no peito. um aroma a bolachas maria e a chá de camomila. luz trémula de amanhecer e de entardecer. os teus braços. as minhas pernas.
um domingo assim
de volta ao trabalho?

lembro-me perfeitamente de entre-passar com cuidado e olhar para dentro das tendas e ver miúdas descontraídas com as mãos ocupadas de mortalhas. sorrisos porque era Verão, ou porque havia festa logo à noite, ou porque os amigos estavam do outro lado, ou porque o reggae lhes estava prometido.





'a morte de um pai é sempre dificíl, porque é ele que está entre nós e a morte. Temos que perceber que a lebre corre, corre e um dia cansa-se.' António Lobo Antunes
desde Março que é assim. todos sentados à mesa, lugares diferentes e cada um impregnado nas suas ideias. os olhos para baixo e um silêncio vazio. pareceu-me mais fácil, mas hoje tive a certeza que não é bem assim. sem ti, o Outono e o Inverno vão ser mais complicados. falta-me qualquer coisa, como todos os dias. mas hoje especialmente. talvez porque finalmente tenha percebido que tudo acabou como tinha que acabar. quando uma luz se apaga dentro de nós já não há nada a fazer. não restam palavras, nem gestos, nem mimos ao início da noite ou convites de mês a mês.







Faz frio. Tenho os bolsos cheios de rebuçados. Demoras a chegar. Passam carros. Há muito para fazer, mas é impossível concretizar tudo. Limpo os olhos. Arregaço as mangas. Vim para aqui por tua causa. E é isso que me chateia. Podia fumar um cigarro ou enviar-te uma mensagem. Mas perdi toda a vontade. Sei lá. Se calhar foi porque não me olhaste nos olhos naquele instante.



a única coisa que eu queria era que, depois de tudo, ficasses a pensar em mim. Não queria que pensasses em mim todos os dias antes de adormecer. Mas queria que te lembrasses dos meus contornos quando lesses o meu nome num livro. Bastava-me isso. Por agora, acho que não faz mais sentido. E é isso que dói.

hoje foi um dia especialmente mau. e é nas horas que mais custam a passar que lembramos as pessoas que mais gostamos e já não podem estar ali quando precisamos, nas pessoas tão especiais que nos magoaram... e nas outras que vão sempre ser nossas.
o meu quarto cheira a baunilha e transborda serenidade.

Muito custa o tempo a passar até que chegue a felicidade, mas quando ela chega não sei muito bem o que fazer. Hoje perdi-me dentro de mim, não consigo falar, sabem quando há tanta coisa para dizer e parece que se bloqueia tudo? É isso que estou a sentir. Precisava muito de um beijo, de uma cumplicidade, de um 'gosto de ti' de verdade, de um rapto. Agora.


apenas hoje tive a certeza que vos ia deixar. e agora estou-me a lembrar de algumas frases como 'oh, sem ti isto vai ser ainda pior' ou 'e agora quem nos vai contar as novidades?'. se eu pudesse levava-vos todos comigo, e seríamos os mesmo quatro de sempre. como é que em apenas num ano se criam laços tão fortes? acredito que se deveu às muitas horas acordados em busca da melhor inspiração, na partilha de comandos de autocad, na entre-ajuda para levar as maquetes enormes até casa, nas horas extraordinárias ao estirador a cortar cartão mat, cartão normal, cartão madeira. As noites no tuareg entre chás e conversas deliciosas, atravessar a praça vezes sem conta, os jantares em família, os almoços rápidos, as aulas de geometria com a Elsa às oito da manhã. Aquele dia em que me apareceste às cinco da manhã a pedir desenhos para passares por cima, o dia em que me ensinaste como trocar a lâmina do x-acto e as inúmeras vezes em que ficámos suspensas entre o caminho para tua casa e o caminho para a minha. Quando formos todos arquitectos e soubermos desenhar plantas e cortes empecáveis (ahahah), vamos abrir um atelier.
Outubro vai ser assim...

estou feliz, francamente feliz.
continuo a achar que ter certezas é uma das melhores coisas.

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