não sei se é a força se o peso da alma que me puxa para baixo.

ouvi dizer
... que íamos ao sudoeste


nós não queremos praia, nós já temos praia.

já alguma vez sentiram a alma revolvida? eu senti, e foi agora.

'e as tuas mãos foram minhas com calma'

hoje descobri a história que escreveste da nossa vida. eu invento metáforas, falo através delas, mas tu disseste tudo de uma forma muito clara. água limpa, roupa lavada. e foi através dessa tua forma prática de viver, essa tua forma escorreita de conduzir e de me agarrar o pescoço quando me beijas, que tive a certeza que não querias ter passado aquela noite comigo. uma mulher quase nunca se engana, e eu soube-o através da sucessão de cigarros que acendias. soube que falta qualquer coisa, pelo menos a mim - e a ti também, já sei. sei que falta o amor, o amor que não queres sequer sentir, mas que te faz falta todas as manhãs em que abres os olhos e descobres que há mais um dia para viver. sabes, o amor é assim, um monstro que estrangula mas sem ele nada faz sentido. quando perceberes isso - se é que ainda não percebeste - talvez consigamos ser felizes. atingir essa felicidade que não existe, a nossa sina, como tu dizes.

é muito bom respirar fundo. muito bom virar as costas depois de um objectivo finalmente completo. faz cócegas na alma. hmmm adoro.
puxas-me para ti e não dizes nada - nunca dizemos nada. apertas-me gradualmente que no fim já se torna insustentável.

Katty Xiomara é doce, é suave. é açúcar e canela, é leveza e paixão. é quase infantil mas erótico. é amor, movimento. são sorrisos de bebés a dormir e mãos dadas de namorados. são caminhos entrelaçados e olhos fechados de prazer.
e ele disse-me que só iria adormecer depois de mim.
pareceu-me a frase mais cruel, mais estúpida, mais preversa.
no entanto, agora tenho a certeza que foi de todas as frases, a mais romântica que já me disseram.
um verão assim

um suspiro vem sempre depois de uma lembrança
de que gosto? de literatura e de adormecer logo (como diria pedro paixão). gosto de marcas de nascença e de andar descalça, de peixinhos de aquário, tontos. gosto de ver casais de velhinhos de mãos dadas, e da ponte 25 de Abril. do primeiro olhar e de passear no chiado ao fim da tarde. de olhos brilhantes e amor verdadeiro. gosto de pintar as unhas e de ouvir o teu coração quando começa a acelerar.
daqui a cinco minutos estás nas minhas mãos. de sorriso ridículo e de voz aguçada. os braços longos e o brilho nos olhos - rídiculo também. na alma tens tudo o que eu desconheço, um movimento ondulante que não percebo. estarás nas minhas mãos de olhar esguio, de peito aberto - sei lá - e de pés no arame dos equilibristas.
ontem foi um dia tão bonito. respirámos arte e amor ao mesmo tempo. abraçámos Lisboa.
amanhã, ou para sempre.


ontem apanhei o autocarro mesmo no último instante. como nos filmes. ontem também deve ter sido um dos piores dias da minha lista de piores dias.


saí muito tarde da sala de trabalho. Atravessei o claustro e subi as escadas sozinha. dentro do meu peito tocava uma música qualquer, para me manter entretida e afastar o medo infantil do escuro. Percorri o corredor ainda longo e por cima de mim voava estonteante um morcego. Para lá e para cá, tonto como só ele poderia ser, e eu deixei-me sorrir. Eu e a minha canção interior.
sempre como se fosse a primeira vez, porque é sempre, sempre diferente de todas as outras.
já tinha desistido de esperar, e a vida teimava em não me deixar adormecer. acordei freneticamente nesse dia e olhei sem sabor para ti. já tinha dito a mim mesma que não farias bater mais o meu coração mas, naquele instante, o açúcar dos teus olhos tornou-se no caramelo dos meus lábios. és diferente de todas as outras pessoas que eu já conheci e todos os dias me dás qualquer coisa que eu nunca recebi antes. muito bom.
eu quero (mesmo muito) amor

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